Enquanto Estados Unidos, China, Europa, Japão e Coreia disputam o controle dos minerais críticos e dos semicondutores, o Brasil continua diante do mesmo risco histórico: exportar matéria-prima barata e importar tecnologia cara.
Terras raras não são o principal material utilizado na fabricação de chips. Chips são produzidos principalmente a partir do silício. Mas as duas agendas fazem parte da mesma disputa: o controle das cadeias tecnológicas que movimentam inteligência artificial, veículos elétricos, robótica, defesa, telecomunicações, energia e equipamentos médicos.
A oportunidade brasileira não está em tentar construir amanhã uma fábrica de chips de última geração para competir com Taiwan. Isso seria caro, lento e pouco realista.
O caminho inteligente seria:
- Processar e separar as terras raras dentro do Brasil
- Produzir metais, ligas, componentes e ímãs permanentes
- Investir no design de chips e na propriedade intelectual brasileira
- Fabricar semicondutores maduros para automóveis, máquinas agrícolas, energia, saúde e defesa
- Desenvolver capacidade de encapsulamento e testes
- Atrair empresas estrangeiras exigindo transferência tecnológica
- Usar compras públicas para garantir demanda inicial
- Formar engenheiros e técnicos com programas de longo prazo
O Brasil já criou o Programa Brasil Semicondutores. O problema não é mais ausência completa de política. O problema será transformar incentivo fiscal, financiamento público e discurso político em capacidade industrial real.
Quem controla apenas a reserva continua sendo fornecedor.
Quem domina o processamento, o componente, o chip, o produto final e a propriedade intelectual controla a margem, o emprego qualificado e o poder geopolítico.
A China não se tornou potência exportando apenas minério. Ela usou o acesso às matérias-primas para construir indústrias completas ao redor delas.
O Brasil precisa fazer o mesmo.
Não devemos escolher entre terras raras e chips. Precisamos criar uma estratégia nacional que conecte mineração, processamento, semicondutores e indústria avançada.
Se exportarmos apenas o minério, financiaremos a tecnologia dos outros.
Se transformarmos essa riqueza dentro do país, poderemos finalmente converter vantagem geológica em soberania tecnológica. Base factual: o USGS estima 21 milhões de toneladas de reservas brasileiras; a IEA mostra que o verdadeiro gargalo está em separação, refino e fabricação de componentes, áreas ainda fortemente concentradas na China IEA. O Brasil Semicon abrange design, produção, capacitação, financiamento e integração industrial Decreto nº 13.065/2026.