ARTIGO

O brasil tem as terras raras. Mas ainda pensa como exportador de pedra.

Nós já falamos sobre o potencial brasileiro nas terras raras. O país possui aproximadamente 21 milhões de toneladas em reservas, cerca de 23% do total mundial estimado.

Enquanto Estados Unidos, China, Europa, Japão e Coreia disputam o controle dos minerais críticos e dos semicondutores, o Brasil continua diante do mesmo risco histórico: exportar matéria-prima barata e importar tecnologia cara.

Terras raras não são o principal material utilizado na fabricação de chips. Chips são produzidos principalmente a partir do silício. Mas as duas agendas fazem parte da mesma disputa: o controle das cadeias tecnológicas que movimentam inteligência artificial, veículos elétricos, robótica, defesa, telecomunicações, energia e equipamentos médicos.

A oportunidade brasileira não está em tentar construir amanhã uma fábrica de chips de última geração para competir com Taiwan. Isso seria caro, lento e pouco realista.

O caminho inteligente seria:

  • Processar e separar as terras raras dentro do Brasil
  • Produzir metais, ligas, componentes e ímãs permanentes
  • Investir no design de chips e na propriedade intelectual brasileira
  • Fabricar semicondutores maduros para automóveis, máquinas agrícolas, energia, saúde e defesa
  • Desenvolver capacidade de encapsulamento e testes
  • Atrair empresas estrangeiras exigindo transferência tecnológica
  • Usar compras públicas para garantir demanda inicial
  • Formar engenheiros e técnicos com programas de longo prazo

 

O Brasil já criou o Programa Brasil Semicondutores. O problema não é mais ausência completa de política. O problema será transformar incentivo fiscal, financiamento público e discurso político em capacidade industrial real.

Quem controla apenas a reserva continua sendo fornecedor.

Quem domina o processamento, o componente, o chip, o produto final e a propriedade intelectual controla a margem, o emprego qualificado e o poder geopolítico.

A China não se tornou potência exportando apenas minério. Ela usou o acesso às matérias-primas para construir indústrias completas ao redor delas.

O Brasil precisa fazer o mesmo.

Não devemos escolher entre terras raras e chips. Precisamos criar uma estratégia nacional que conecte mineração, processamento, semicondutores e indústria avançada.

Se exportarmos apenas o minério, financiaremos a tecnologia dos outros.

Se transformarmos essa riqueza dentro do país, poderemos finalmente converter vantagem geológica em soberania tecnológica. Base factual: o USGS estima 21 milhões de toneladas de reservas brasileiras⁠; a IEA mostra que o verdadeiro gargalo está em separação, refino e fabricação de componentes, áreas ainda fortemente concentradas na China IEA⁠. O Brasil Semicon abrange design, produção, capacitação, financiamento e integração industrial Decreto nº 13.065/2026⁠.

Mais do que uma consultoria. UMA VISÃO DE MUNDO.